Aconteceu, Dr. E agora o que eu faço?

Golpe do falso advogado: como identificar e o que fazer se você caiu

Aconteceu, Dr. — Guia Antifraude

Imagine que você tem mesmo um processo em andamento — uma ação, um acordo, uma indenização a receber. Um dia chega uma mensagem no WhatsApp, com foto de perfil de advogado e um tom profissional: "consegui a liberação do seu dinheiro, mas para o valor sair é preciso pagar uma taxa/custas/imposto por PIX ainda hoje". A história encaixa com a sua vida, o senso de urgência aperta, e você paga. Depois descobre que quem falava com você não era o seu advogado. Era um golpista que sabia detalhes do seu caso.

Esse é o golpe do falso advogado, e ele é especialmente cruel por dois motivos: explora a confiança numa relação profissional e costuma mirar quem está numa situação de fragilidade — pessoas idosas, pessoas esperando um dinheiro que faz falta. Se você caiu, entenda: o golpe foi montado justamente para parecer verdadeiro. O passo agora é reagir e proteger o que ainda dá.

Como identificar (e o que fazer agora)

Primeiro, os sinais que denunciam o golpe — guarde-os também para avisar sua família:

  • Advogado de verdade não cobra "taxa para liberar" o seu próprio dinheiro por PIX de última hora. Custas processuais e impostos não se pagam via PIX para conta pessoal a pedido urgente por mensagem.
  • Número de telefone diferente do habitual, pressa incomum, pedido de sigilo ("não comente com ninguém").
  • Conta de destino em nome de pessoa física desconhecida.

Se você já pagou, aja nesta ordem:

  1. Confirme com seu advogado pelo canal oficial — o telefone que você já conhece, não o que veio na mensagem. Muitas vezes a confirmação de que era golpe vem aqui.
  2. Conteste o PIX pelo aplicativo do banco para acionar o MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Banco Central, que tem prazo curto. Ligue também para o banco pelo número oficial e peça o protocolo.
  3. Registre o Boletim de Ocorrência pela delegacia eletrônica.
  4. Guarde todas as provas: prints da conversa, número que entrou em contato, comprovante do PIX, chave/conta de destino. Não apague nada.

Passou por uma situação parecida? Você pode tirar suas dúvidas com o escritório.

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Seus direitos

O primeiro direito é não carregar a culpa sozinho. Esses golpes usam informações reais sobre o seu processo, e isso levanta uma pergunta importante: como o golpista sabia dos detalhes do seu caso? Se houve vazamento de dados de algum sistema — do escritório, de um tribunal, de uma empresa envolvida —, essa origem pode ter desdobramentos próprios, e vale ser investigada.

No aspecto financeiro, quando há PIX e banco no meio, a Súmula 479 do STJ reconhece que instituições financeiras respondem por fraudes praticadas por terceiros dentro das operações bancárias — o "fortuito interno", risco inerente ao negócio. O Código de Defesa do Consumidor (artigo 14) responsabiliza o prestador de serviço por falhas, independentemente de culpa. Transferências fora do seu padrão, para destinatários desconhecidos, feitas às pressas, são o tipo de movimentação que os sistemas de monitoramento deveriam sinalizar.

Há um agravante quando a vítima é idosa. O STJ trata o consumidor com 60 anos ou mais como hipervulnerável, com proteção reforçada pelo Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) combinado ao CDC. Golpes de engenharia social que se aproveitam dessa condição tendem a pesar mais na avaliação de responsabilidade e de eventual reparação.

Sendo honesto como sempre: cada caso depende dos detalhes concretos, e a alegação de culpa exclusiva da vítima costuma aparecer. Ela nem sempre se sustenta — por isso as provas importam tanto. E o prazo é confortável: a indenização por falha no serviço prescreve em 5 anos (CDC, artigo 27).

Quando procurar um advogado

Vale um cuidado extra aqui: procure um advogado por um canal que você mesmo verificou — site oficial, OAB, indicação de confiança —, nunca por um número que chegou de surpresa. E desconfie de quem, logo de cara, promete recuperar seu dinheiro. Ninguém pode garantir resultado; o que se faz é analisar os fatos reais e apontar, com clareza, se há base para buscar reparação.

Faz sentido buscar orientação quando o banco negou a contestação, quando o valor perdido é relevante, quando há suspeita de vazamento dos dados do seu processo, quando a vítima é idosa, ou quando você não sabe o próximo passo depois do B.O. e do MED. Uma conversa inicial já organiza o cenário.

Se você passou por isso e quer entender o que se aplica ao seu caso, me chame. Ouço a sua situação e te oriento sobre os caminhos possíveis.

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