Revisional de Juros

Financiamento com juros altos: o que fazer quando a parcela não fecha

Direito Bancário — Revisão de Juros

Imagine que você fechou um financiamento — do carro, da moto, de um empréstimo pessoal — e na hora tudo parecia sob controle. Só que as parcelas começaram a apertar de um jeito que você não esperava. Você faz a conta do total que vai pagar no fim e leva um susto: o valor quase dobrou em relação ao que pegou emprestado. Bate aquela sensação de que tem algo errado, mas você não sabe se é "assim mesmo" ou se está pagando caro demais.

Depois de anos vendo contratos bancários por dentro, posso te dizer: essa desconfiança merece ser levada a sério. Nem todo juro alto é ilegal — o banco pode cobrar taxas de mercado —, mas existe uma linha em que o custo deixa de ser "caro" e passa a ser abusivo. E dá para checar isso de forma objetiva.

O que fazer agora

Antes de qualquer decisão precipitada, organize as informações:

  1. Pegue o seu contrato e localize três números: a taxa de juros (mensal e anual), o CET (Custo Efetivo Total) e o valor total a pagar. Costumam estar nas seções "Condições Financeiras" ou "Demonstrativo do Financiamento".
  2. Compare sua taxa com a média do Banco Central. O Bacen publica no site oficial a taxa média de cada tipo de crédito (financiamento de veículo, crédito pessoal, etc.) mês a mês. Procure a média da época em que você assinou. Se a sua taxa está muito acima daquela média, isso é um forte indício de abuso.
  3. Procure tarifas e seguros que você não pediu: "serviços de terceiros", "avaliação do bem" com valor exagerado, "seguro prestamista" ou "proteção financeira" embutidos sem você ter autorizado por escrito. São cobranças frequentemente questionáveis.
  4. Não deixe de pagar por conta própria antes de se orientar. Parar de pagar sem estratégia pode gerar busca e apreensão ou negativação. Primeiro entenda o cenário, depois decida.

Passou por uma situação parecida? Você pode tirar suas dúvidas com o escritório.

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Seus direitos

Aqui está o que o contrato não explica com clareza.

O financiamento é uma relação de consumo, protegida pelo Código de Defesa do Consumidor. Os bancos podem fixar suas taxas, mas não podem impor encargos que destoem significativamente da média de mercado nem cláusulas que coloquem você em desvantagem exagerada (CDC, artigo 51, IV). O parâmetro objetivo mais usado pela Justiça é justamente a taxa média divulgada pelo Banco Central para aquele tipo de crédito na data da contratação. Quando a taxa do seu contrato supera essa média de forma expressiva, há base para discutir a abusividade.

As tarifas e seguros embutidos têm regra própria. A cobrança de serviço não contratado, ou de tarifa desproporcional ao serviço realmente prestado, pode ser questionada. E há um ponto que pouca gente conhece: pelo artigo 42 do CDC, valor cobrado indevidamente e efetivamente pago deve ser devolvido em dobro, com correção e juros — salvo se o banco provar que houve engano justificável (e o ônus dessa prova é dele, não seu). Ou seja, cada parcela em que você pagou uma tarifa indevida pode virar direito à devolução dobrada.

Sendo direto e honesto, como faço questão de ser: revisão de contrato não é passe de mágica. Cada contrato tem particularidades, e ninguém sério promete redução de parcela ou de saldo. O que existe é um caminho técnico para verificar se há cobrança fora da lei e, havendo, buscar o reequilíbrio.

Quando procurar um advogado

Você consegue levantar a suspeita sozinho — comparar sua taxa com a do Bacen já diz muita coisa. O que a análise jurídica acrescenta é o diagnóstico preciso: quanto do encargo é legítimo, quanto é questionável, e qual o melhor caminho (negociação ou ação revisional) para o seu caso concreto.

Vale procurar orientação quando a taxa do contrato está claramente acima da média do Bacen, quando você encontrou tarifas ou seguros que nunca autorizou, quando está no aperto e teme a inadimplência, ou quando simplesmente quer entender o tamanho real do problema antes de decidir. Uma conversa inicial já esclarece bastante.

Se você quer entender se há abuso no seu financiamento, me chame. Analiso os detalhes com você e te oriento sobre os caminhos possíveis.

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